02/03/2009

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Mulher azul

Todo mundo já assistiu a alguma palestra anti-drogas – seja na escola, num movimento religioso ou onde for. Há aquelas excelentes, que te fazem sair pensando na vida – e há aquelas em que você sai se lamentando de ter visto. Me lembro de uma que assisti na adolescência, com um policial até bem intencionado, mas que insistia em tratar o usuário de drogas como um delinqüente, um sujeito sempre envolvido com a criminalidade, quase sem distingui-lo de um traficante. E eu, chato como sempre, não resisti em lascar a pergunta: “mas e aquele carinha ‘paz e amor’ que planta a maconhinha dele, e diz não atrapalhar ninguém?” Ele leu o artigo que qualifica o plantio dessas substâncias como crime, e arrematou: “Ele está tão errado quanto o outro que compra. Isso é papo dele pra levar você pra onda dele!”

E o problema não é só o preconceito. Falar de drogas em geral (incluindo o álcool e o cigarro), seja em palestras ou de qualquer outra forma, é sempre algo complexo, que exige o bom senso de conhecer a realidade do público que se quer atingir, como eles já vivenciam o assunto. Por exemplo, o testemunho de um ex-toxicômano pode comover e demonstrar as alternativas que a vida pode oferecer, mas pode também incitar a curiosidade de quem vê um cara saudável e feliz falando que já experimentou de tudo – especialmente em adolescentes que, digamos, já têm um “potencial” para entrar nesse mundo. É um trabalho bastante melindroso, nem sempre fácil de se fazer…

Fé na prevenção

É isso que faz com que iniciativas como esta, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), em parceria com o PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) e a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), sejam tão louváveis. Sabendo do potencial de instituições religiosas e movimentos afins para tratar do assunto das drogas (afinal, além de sempre promoverem ações sobre o tema, a religião é muitas vezes o lugar onde a pessoa ou a família procuram refúgio ao depararem-se com situações de risco), eles elaboraram um curso à distância, visando capacitar pessoas com papel de liderança em tais movimentos para que saibam lidar um pouco melhor com isso tudo, unindo os conhecimentos médicos e psicológicos aprendidos ao amparo da sua fé (seja ela qual for).

O curso, que terá a duração de 2 meses (abril e maio/2009), possui o sugestivo nome de “Fé na prevenção” e estará abrindo nada menos que 5000 vagas, para interessados de todo o Brasil. O melhor de tudo? É gratuito! Isso mesmo: você participa no conforto da sua casa, não paga nada e ainda recebe um certificado de Extensão Universitária pela UNIFESP, que é referência absoluta no assunto.

O público-alvo são pessoas envolvidas em algum movimento religioso, de preferência que participem de alguma atividade na área de saúde e que estejam com a “mente aberta” para discutir sobre o tema. Como fazer para se inscrever? Basta preencher o formulário do site www.fenaprevencao.org.br (onde também estão as demais informações do curso) e aguardar a confirmação da seleção. As inscrições vão só até o final do mês de março, portanto não demore – e divulgue o máximo possível, afinal não é todo dia que se vê uma oportunidade dessas!…

E, pra refletir, vamos com o meu xará Pensador: “Tem alguém aí?”

UPDATE (11/04/09): Foram prorrogadas as inscrições para o curso!! Segundo o site, as inscrições poderão ser feitas ainda neste mês de abril, e a data de início do curso ainda será confirmada.

Aproveitem!!

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São Paulo

Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se eu não tivesse Amor, nada disso me adiantaria.

Paulo de Tarso

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