Grávida

Eita, tema polêmico (chega numa universidade e fala disso pra você ver)! Mas talvez não haja polêmica mais importante de ser discutida. Por quê? Porque, lá no fundo, ela envolve uma das coisas mais profundas a guiar todo o resto: a forma como encaramos a vida.

“A vida das crianças ou das mães?”, já perguntaria um observador mais esperto. Sim, porque às vezes parece que falar de aborto, hoje em dia, é só olhar pra um desses dois lados, ignorando completamente o outro. Dos que pensam que mandar pra cadeia as mulheres que abortam vai resolver tudo, aos que acham que legalizando o troço teremos até mesmo menos violência (afinal, “vai nascer menos pobre”, né?), a polarização do discurso muitas vezes reflete ideologias um tanto distantes da realidade, palavras vazias que se perdem no ar ao menor clima de “nossa, está acontecendo comigo”…

Mas voltemos àquela perguntinha básica, mas maldosa: quem vale mais, uma criança por nascer ou uma mãe desesperada?

(Iche, difícil essa, né? Dá vontade de mudar de assunto, fingir que não é com a gente… ou então embarcar numa resposta pronta, que ouvimos naquela aula de ética daquele professor esquisito…)

O problema é quando essa incerteza permanece mesmo quando tomamos uma bandeira e envolvemos outras vidas na nossa luta. Quando não sabemos responder uma pergunta básica, que deveria estar por trás de tudo o que fazemos…

Assistam ao vídeo abaixo. É pra pensar onde está indo parar o meu, o seu, o nosso dinheirinho público…


Em tempo: entre a mãe e a criança, “tentemos salvar as duas”, como diriam as boas parteiras. É possível? Ora, claro que é! E há muita gente boa que já dedica a vida a fazer isso!… Confira, por exemplo, o trabalho da Associação Nacional Mulheres pela Vida, do Rio de Janeiro. É um trabalho exemplar, que já salvou milhares de vidas mas que continua pouquíssimo conhecido – talvez pelo preconceito com que muitos ainda vêem o tema. Futuramente abordaremos melhor o trabalho desta e de outras ONGs que, muitas vezes sem nenhum apoio, fazem trabalhos que emocionam por tanta beleza e profundidade. Por hora, pensemos em como às vezes nos desesperamos tão facilmente, quando há tantas pessoas em situações tão ruins, com condições tão precárias, mas que decidem levar a vida adiante e renovar-se diante das dificuldades, “fazer da queda um passo de dança”, como diria o poeta. Afinal, quem entende do assunto sabe que aborto não salva ninguém; pelo contrário: sempre destrói, no mínimo, duas vidas.

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