
(pra lembrar que às vezes as coisas legais vêm dos lugares onde “não exatamente” esperamos encontrá-las…)
Autor: Emerson H. de Oliveira
Você está visualizando o arquivo diário de 09/02/2009.

(pra lembrar que às vezes as coisas legais vêm dos lugares onde “não exatamente” esperamos encontrá-las…)
Autor: Emerson H. de Oliveira
Tags: charge, Deus, Sofrimento

Há pesquisas e pesquisas.
Uma delas, divulgada no Globo deste domingo, afirma categoricamente que “99% dos brasileiros maiores de 16 anos têm preconceito contra homossexuais”. A quase totalidade das pessoas em nosso país, portanto, apresentaria alguma forma de preconceito, ainda que “velado”.
Ora. Ainda não tive acesso à reportagem na íntegra, mas a julgar, por exemplo, a grande mudança que vem sofrendo a forma de se encarar o homossexualismo na mídia dos últimos tempos, cada vez mais tolerante, tudo indica que esta pesquisa deve ter sido, no mínimo, bastante tendenciosa. Que perguntas teriam sido feitas para “detectar” esse preconceito? “Você teria relações com uma pessoa do mesmo sexo?” “Você acha normal uma pessoa ser exclusivamente heterossexual?”
Fico imaginando. Se somente 1% da população não tem preconceito, então, na verdade, até mesmo a maioria dos homossexuais são preconceituosos em relação à sua própria condição. Ou, talvez, só teríamos 1% de homossexuais em meio à população – e estes, sim, seriam os únicos totalmente livres de preconceito!
Ligando os pontos, fica fácil entender aonde se quer chegar. A pesquisa foi feita por uma fundação ligada ao PT, partido do governo, que a usará para “planejar novas políticas” contra a intolerância. O “pessoal da direita” reclama, indignado, que o percentual de crimes cometidos contra homossexuais no país não está nada destoante do total de assassinatos cometidos no mesmo período. Mas nós, reles mortais sem condições bélicas para enfrentar a fúria dos Movimentos Gays (que nem de longe podem ser considerados representativos do pensamento dos que se declaram homossexuais), preferimos nos calar, com medo de sermos tachados de “homofóbicos”. Aliás, pelo visto, não adianta ficar quieto: provavelmente basta respirar para ser enquadrado nestes 99%.

Por favor, presidente. Preconceito é coisa muito séria para ser tratada assim. O senhor deve saber disso, pois pela sua história de vida nunca teria sido eleito se vivesse num país realmente preconceituoso. É claro, há muito ainda a ser feito, muita discriminação velada – inclusive contra homossexuais, sim – a manchar nossa sociedade. Mas não é servindo de capacho para alguns movimentozinhos radicais que vamos resolver nossos problemas.
Cuidado, minha gente. Nada é mais preconceituoso do que achar que tudo é preconceito.
UPDATE (11/02/09) – PS: Este artigo não tem a intenção de expressar nossa posição sobre as reinvidicações do Movimento Gay; o foco aqui são, sobretudo, algumas das formas utilizadas para alcançá-las.
Tags: homofobia, movimento gay, o globo, pesquisa, preconceito
Sugestão musical do dia!
Música que trata, de forma poética, do sofrimento causado pelo descaso de outros, daqueles que “tinham que nos defender”, de quem tem muitas vidas correndo nas mãos mas é incapaz de se sensibilizar com a situação alheia. Uma crítica aos poderosos, mas ao mesmo tempo um louvor à esperança do povo sofrido, que não desiste de viver mesmo em meio a tantas dificuldades: povo que “chora sorrindo”. Inspirada no depoimento de uma senhora que, num documentário sobre a seca e a miséria na região do semi-árido nordestino, em meio às lágrimas que vertia ao contar sua triste história de luta e dificuldade, abriu um sorriso modesto e, entre o choro e o riso, disse: “Não há de ser nada, a gente confia em Deus”!
“Hoje muitos choram, mas não desistem de viver” já foi o grito de guerra de uma comunidade da grande São Paulo que protestava contra uma ordem judicial que determinava a desocupação de suas casas, e o alento para uma garota que estava prestes a se suicidar quando ouviu esta música na TV e pôde repensar sua existência. Apresentada aqui na empolgante versão do DVD “Acústico e ao vivo”, recentemente relançado pela gravadora Som Livre para todo o Brasil, essa canção alegre é também uma boa fonte de reflexão, como sugerem as outras versões disponíveis no Youtube.
Aproveite e conheça mais sobre o Rosa de Saron no My Space. Vale a pena!!
Tags: esperança, muitos choram, rosa de saron, suicídio, vida

Eita, tema polêmico (chega numa universidade e fala disso pra você ver)! Mas talvez não haja polêmica mais importante de ser discutida. Por quê? Porque, lá no fundo, ela envolve uma das coisas mais profundas a guiar todo o resto: a forma como encaramos a vida.
“A vida das crianças ou das mães?”, já perguntaria um observador mais esperto. Sim, porque às vezes parece que falar de aborto, hoje em dia, é só olhar pra um desses dois lados, ignorando completamente o outro. Dos que pensam que mandar pra cadeia as mulheres que abortam vai resolver tudo, aos que acham que legalizando o troço teremos até mesmo menos violência (afinal, “vai nascer menos pobre”, né?), a polarização do discurso muitas vezes reflete ideologias um tanto distantes da realidade, palavras vazias que se perdem no ar ao menor clima de “nossa, está acontecendo comigo”…
Mas voltemos àquela perguntinha básica, mas maldosa: quem vale mais, uma criança por nascer ou uma mãe desesperada?
(Iche, difícil essa, né? Dá vontade de mudar de assunto, fingir que não é com a gente… ou então embarcar numa resposta pronta, que ouvimos naquela aula de ética daquele professor esquisito…)
O problema é quando essa incerteza permanece mesmo quando tomamos uma bandeira e envolvemos outras vidas na nossa luta. Quando não sabemos responder uma pergunta básica, que deveria estar por trás de tudo o que fazemos…
Assistam ao vídeo abaixo. É pra pensar onde está indo parar o meu, o seu, o nosso dinheirinho público…
Em tempo: entre a mãe e a criança, “tentemos salvar as duas”, como diriam as boas parteiras. É possível? Ora, claro que é! E há muita gente boa que já dedica a vida a fazer isso!… Confira, por exemplo, o trabalho da Associação Nacional Mulheres pela Vida, do Rio de Janeiro. É um trabalho exemplar, que já salvou milhares de vidas mas que continua pouquíssimo conhecido – talvez pelo preconceito com que muitos ainda vêem o tema. Futuramente abordaremos melhor o trabalho desta e de outras ONGs que, muitas vezes sem nenhum apoio, fazem trabalhos que emocionam por tanta beleza e profundidade. Por hora, pensemos em como às vezes nos desesperamos tão facilmente, quando há tantas pessoas em situações tão ruins, com condições tão precárias, mas que decidem levar a vida adiante e renovar-se diante das dificuldades, “fazer da queda um passo de dança”, como diria o poeta. Afinal, quem entende do assunto sabe que aborto não salva ninguém; pelo contrário: sempre destrói, no mínimo, duas vidas.
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