Vândalos de vidas
A cidade onde moro está em guerra.
E não é por conta de uma facção criminosa, que até há algum tempo eram os maiores “terroristas” daqui…
Hoje, os maiores criminosos são policiais.
São pessoas contratadas pelo nosso próprio Estado para nos dar segurança, mas que há tempos vêm agindo com uma truculência animalesca, quase como que guiados pelo próprio instinto…
O instinto de um cão mal cuidado e raivoso, só esperando uma ordem superior para que vidas não valham mais nada.
E essa ordem veio.
Ontem, no quarto dia de manifestações contra o aumento da passagem do transporte público de São Paulo, a polícia nem precisou ver vandalismo para começar a batalha. Provavelmente irados pelo ferimento de colegas nos protestos anteriores (sim, pois não se pode esquecer também que alguns revoltosos mais exaltados chegaram, noutro dia, a quase linchar um policial), PMs saíram literalmente atirando pra todos os lados onde houvesse um grupinho de pessoas: manifestantes, pedestres, jornalistas…
E aí, o vandalismo contra a cidade, por pior que seja (e sempre ressaltei que não é nada bom), vira nada, vira pó diante desses fardados que vandalizam vidas.
A polícia ontem vandalizou tanto, mas tanto, que conseguiu o feito de deixar quase toda a imprensa nacional e internacional (tirando, talvez, só uma solitária exceção da Veja) contra ela.
E olha que até outro dia eles tinham a mídia do lado deles, com o Arnaldo Jabor dizendo: “são só 20 centavos!“…
Mas não são mais “só” 20 centavos.
Agora é por uma polícia decente. É pela segurança de todos nós, que ao andar por aí podemos ser atingidos por uma bomba de gás, uma bala de borracha “perdida” ou violentamente presos por carregar vinagre. É pelo direito de alguém dizer que acha um absurdo a inflação condenar um pobre a ficar mais pobre, privado do direito de ir e vir do trabalho, sem levar um spray de pimenta na cara. É pelo direito de entoar gritos contra a violência e não ser respondido com bombas. É pelo direito da imprensa de registrar isso tudo sem ser censurada com tiros no rosto.
Ainda é, sim, contra o preço da passagem.
Mas agora é também pela vida.
UPDATE: Acho que esse post resume muito bem o que aconteceu ontem: “24 Momentos dos protestos em São Paulo que você não verá na TV“
Tropa de Choque reprime pedidos de não-violência com tiros e bombas
No comments Digg thisImpressões de um mineiro sobre São Paulo
Pegando carona nas interessantes “Impressões de um francês sobre o Brasil“, resolvi criar minhas curiosidades sobre São Paulo (também humoristicamente exageradas, ok?). De um jeito ou de outro, é uma cidade que sempre impressiona quem vem de fora, como este mineirinho que voz fala, aqui já há quase 2 anos…
E sim, eu adoraria que alguém fizesse também um desses de Minas… mas o trem tem que ser bem-feito, viu sô??
Curiosidades Paulistanas
- Aqui em Sampa, o tempo é relativo: um trajeto que normalmente dura 20 minutos pode durar 3 horas. Ou vice-versa.
- Aqui em Sampa, andar de moto não é simplesmente dispor de um meio de locomoção, é um estilo de vida. Ou de morte.
- Aqui em Sampa, chamar os outros de “senhor” é uma regra básica de educação. Mesmo se você for um homem de 50 anos de terno e gravata, e estiver abordando um jovem de 15, de jeans e boné. Já em relação às garotas de 15 anos, confesso que até hoje não descobri como proceder…
- Aqui em Sampa, gestos antigos de cortesia, como estender a mão para dar passagem a outras pessoas (principalmente a mulheres), ainda são amplamente difundidos. Mas paulistanos sempre acharão que os outros povos são bem mais gentis que eles. São bem autocríticos.
- Aqui em Sampa,“puta” nem sempre é palavrão, pode ser superlativo. Por exemplo: “puta trânsito”, “puta dor de cabeça”, “puta predião legal”. E, nesse sentido, pode funcionar como elogio. Do tipo: “pô, puta mãe a sua, heim, meu!”. Sério.
- Aqui em Sampa, se uma coisa é boa, é “da hora”. O que é uma gíria completamente sem pé nem cabeça. Por exemplo, se alguém pergunta “Gostou da minha nova namorada?” e o outro responde “Pô, meu, da hora!”, parece que a garota é boa só praquela hora. Pra próxima hora, é melhor arrumar outra.
- Aqui em Sampa, pode-se identificar no mínimo uns três dialetos diferentes dentro da mesma cidade: o “nasalês” (“Ââââhh… num tô intendéndu… âââh… queria ir ver o São Paulo no Morumbi mas tá uma puta violéncia, meu… mó ruim, meu…”); o “mooquês” (“Ôrra, larga de sê frôxo, má que côisa! Quando é o meu Parmêra eu vejo jogá onde for, sô porrco até morrê, belo!”) e o “manês” (“Aí mano, vô te dá uma letra, cerrto? Se liga que aqui é Timão, bélêza? É Timão nesse bagulho e num tem pra bambyzinho não, tá ligado? Incrusive, mano, incrusive, por acaso cê tá me tirando, mano?? Manda a real, qualé que é o bagulho, cê tá me tirando??”).
- Já Campinas é que nem BH: uma das maiores cidades do país, mas que conserva o interiorrr sempre no coração. Um local onde pode-se ver mulheres executivas elegantes e chiquérrimas soltando “ai, que amôrr essa frôrr!”. Já em Santos, o sotaque é uma mistura do paulista com o dialeto litorâneo (tipo carioca), produzindo frases como “Atençââo: atraix daquela póirrta tem arrox com caxca”.
- Aqui em Sampa, é comum ouvir pessoas conversando naturalmente em inglês, japonês ou outra língua qualquer ao seu redor, como se estivesse em casa. É a maior colônia japonesa do mundo, a terceira maior colônia italiana do mundo, a cidade do mundo que tem mais nordestinos, ganhando de qualquer uma do Nordeste… sem falar dos chineses, coreanos, mineiros, gaúchos, etc. É uma Babel moderna, mas todos parecem, de alguma forma, se sentir em casa. Gostando ou não dessa casa.
- Aqui em Sampa, o assento preferencial do metrô, no fundo, não é preferencial: é exclusivo. Sentar nele sem ser idoso, cego, obeso ou etc. faz você sentir-se levemente desconfortável, com a impressão de que está usando algo que não é seu – o que poderá te induzir a tentar cedê-lo pra alguém na primeira ocasião, só pra ficar em paz com a consciência.
- Aqui em Sampa, as mesmas pessoas que educadamente te dão passagem no metrô ao longo do dia te empurrarão nos horários de pico – ou, no trem, a qualquer horário, tentando entrar no vagão antes de deixar você sair, num ousado desafio às leis da física.
- Aqui em Sampa, viajar em pé no metrô ou trem não é desculpa pra não ler, escrever ou dormir. Sem perder a estação.
- Aqui em Sampa, ao caminhar, mantenha-se sempre à direita. Não, você não é carro, mas só use a esquerda se estiver numa velocidade maior que os outros pedestres. Ou para ultrapassagens.
- Aqui em Sampa, é comum ver lindos e simpáticos labradores trabalhando como cães-guia, mas ninguém mexe com eles. Nem se sentem os bã-bã-bans porque podem entrar onde os outros cães não entram. Tão nem aí.
- Aqui em Sampa, a referência é sempre um lugar melhor. O metrô sempre será considerado horrível, pois será comparado ao de Londres ou Tóquio – nunca, jamais, com o do Rio, o de Porto Alegre ou o de BH. Rio só é referência em belezas naturais, o Sul só em relação à “civilidade” do povo e BH só pela simpatia e hospitalidade. Nunca compare algo de São Paulo com outro pior.
- Aqui em Sampa, as pessoas vão pro parque do Ibirapuera não só para desfrutar da sua beleza e das opções de lazer, mas também para estender a canga na grama e pegar um sol. Sim, algumas de biquíni.
- Aqui em Sampa, ver a polícia abordar alguém apontando a arma é normal. Só é pra ter medo se você não tiver cara de “cidadão de bem” (branco, minimamente bem vestido e que não deixa transparecer que já pode ter passado pela sua cabeça, alguma vez na vida, experimentar maconha).
- Aqui em Sampa, o novo centro econômico da metrópole está à margem direita do Rio Pinheiros, região realmente chiquérrima, cheia de prédios exuberantes e lindos novos cartões postais, como a ponte Estaiada. O fato de o rio ser literalmente um esgoto sem fluxo a céu aberto, com um odor exuberante, é só um mero detalhe.
- Aqui em Sampa, contratar alguém só pra abrir a porta do carro dos clientes que chegam ao seu restaurante ou hotel não é frescura. Mesmo se os clientes não forem lá tão grã-finos assim…
- Aqui em Sampa, se não tem como oferecer um estacionamento perto de sua pequena loja, reserve um espaço dentro dela para o cliente botar o carro. É sério.
- Aqui em Sampa, numa mesma rua, um bom restaurante self-service pode cobrar apenas R$2,00 por cada 100g, com direito a bebida grátis, e uma padaria mediana vender um pãozinho de queijo a R$ 4,00. Sem fio de cabelo na comida e sem diamante no pão de queijo.
- Aqui em Sampa, sua aparência conta muito. Sua origem também: o simples fato de ser baiano ou mineiro, por exemplo, pode tanto prejudicar quanto abrir portas (respectivamente). A primeira impressão não te definirá eternamente, mas será bastante significativa. Você terá que superá-la (preconceito? Não, magina…).
- Aqui em Sampa, as pessoas adoram filas. A maioria delas anda rápido, mas ai da fila que permanecer parada por um pouco mais de tempo. Se tornará uma fila de reclamações.
- Aqui em Sampa, buzina não é um dispositivo para uso somente em caso de situações de risco, como prevê o Código de Trânsito. Tampouco é só um mecanismo suplementar usado para comunicação entre motoristas (com mais significados por tipos de toque do que o código Morse), como é no resto do Brasil. Aqui, a buzina é um controle essencial do carro, como os pedais e o volante. Paulistano sai de carro sem o estepe, mas não sem a buzina funcionando. Nunca.
- Aqui em Sampa, antes de ter a multa pra quem não dá preferência ao pedestre, as pessoas atravessando eram vistas pelos motoristas como pinos de boliche sobre as faixas. Depois da multa, as faixas viraram o seu tapete vermelho. Mulher feia que quer “parar trânsito” adora uma faixa de pedestres.
- Aqui em Sampa, ciclistas só são atropelados na Avenida Paulista. Nas outras 48.623 vias da cidade, isso não acontece – ou, se acontece, ninguém liga. Só tem graça fazer manifestação na Paulista.
- Aqui em São Paulo entendi, sem saber direito como explicar, porque mesmo apesar de tudo dizem que a cidade é acolhedora e fascinante. Acho que um dos motivos é que aqui se encontra um equilíbrio interessante entre a “civilidade” e a “brasilidade”. É Brasil brasileiro, mas com vontade de ser melhor, ser mais. Puta da hora. Com todo o respeito.
No comments Digg thisSexo, álcool e… estresse.
Vocês já pararam pra pensar por que vivemos numa época em que se pensa tanto em sexo? A ponto de ver pessoas girando sua vida em torno disso, de termos cada vez mais doenças, gravidezes indesejadas, abortos, estupros, assédio sexual, pedofilia, “50 tons de cinza” na lista dos mais vendidos (sim, isso também é um sintoma bem grave!!)…
E já pararam pra pensar por que temos tantos problemas relacionados ao álcool? Mortes no trânsito, brigas de bar, alcoolismo, famílias destruídas, saúde degradada, rodas de violão com Reginaldo Rossi a madrugada inteira??…
Eu já…
E pensando, estudando e observando, passei a crer na hipótese de que isso tudo, no fundo, tem a ver com estresse. Não necessariamente o estresse da pessoa nervosinha, o “ai, tá estressado”, mas o estressezinho nosso de cada dia mesmo, as tensões do cotidiano. Desde o estresse “positivo”, aquela adrenalina boa que bate quando você tem que resolver uma coisa rápido, até o “negativo”, de quando a musculatura fica toda tensa e não quer relaxar. Não existe época em que o organismo humano tenha liberado tanto os tais hormônios do estresse quanto o último século – e tudo garante que isso só vai piorar no atual…
Por que isso? Bem, como todos dizem, é basicamente pelo ritmo em que vivemos. Nosso corpo de homo sapiens estava acostumado a ter tensões uma vez ou outra, quando tínhamos que correr de alguma fera, caçar, nos proteger da chuva. Hoje a tensão é constante, pois a cada instante temos um desafio a superar, um raciocínio novo no trabalho ou no estudo. São esforços mentais que consomem uma energia para a qual nosso código genético ainda não está preparado. E aí não há corpo que agüente, mesmo!
E isso tudo somado à tal da era da pós-modernidade, época de mudanças em que temos cada vez menos parâmetros “certos” a seguir. Antigamente, a sociedade era organizadinha, com papéis bem definidos pra homens, mulheres, crianças, negros, brancos, ricos, pobres… Hoje não. As coisas estão mudando numa velocidade tão rápida que mal conseguimos compartilhar tudo no facebook. Imagina então como tá a cabeça dos nossos pais, que viveram a vida sem computador e tinham que esperar horas no telefone do vizinho, contando com a boa vontade da telefonista, pra conseguir falar com alguém em outra cidade??…
A família mudou, a escola está uma bagunça, a religião virou um caleidoscópio. Na política, só é ingênuo quem quer. É fácil perceber que estamos em transição… o difícil é saber para o quê. Não temos idéia de pra onde vamos.
Pense, então, num sujeito estressado. É o homem e a mulher que tá no meio disso tudo aí. Mesmo que não percebamos (e, a propósito, acho que vida acadêmica é uma das coisas que mais deixam as pessoas estressadas sem perceberem que estão), uma certa dose de tensão parece ser sempre meio constante na gente, “normal” até. Às vezes até conseguimos nos equilibr mentalmente, permanecer tranquilos… mas aí aquela dorzinha no estômago, aquela dificuldade no sono aparecem…
E aí, pense em duas boas formas de desestressar o corpo e a mente. Sim, sexo e álcool. É, tem o tal do “rock’n roll” também, mas até a música e a dança parece que hoje fazem pouco sentido se não estiverem relacionadas com paquera ou alguma droga. Festa sem pessoas do sexo oposto e sem bebida não tem graça, a música é só um detalhe…
Mas, então, essas são duas coisas perfeitas pra aliviar. As reações químicas no corpo causadas pelo sexo (ou, que seja, por um beijo ou uma dança a dois mais “íntima”) ou por algumas doses de bebida (ou outra droga, que seja) não só tiram a tensão, mas também geram prazer, alegria. E some-se a isso o fato de serem atividades que geralmente se faz com outras pessoas, ou seja, previnem a solidão ao lado dos amigos (no caso da bebida) ou com alguém que, se não amamos, no mínimo nos dá algum afeto (no caso do “sexo”, do relacionamento).
E não há nada de errado nisso. Há como julgar alguém por namorar ou tomar uma cervejinha? Claro que não. Tá mais que certo quem procura relaxar e ser feliz nas pequenas coisas!…
O problema é que nada disso resolve os problemas. Dão um fôlego, ajudam a respirar!… Mas, se você estiver no meio do mar, nada disso vai te tirar do lugar. Pelo contrário… em excesso, pode até ajudar a afundar.
Nesse mundo de tantas ondas, é preciso saber nadar pra se chegar a algum lugar. Mesmo que a “terra firme”, às vezes, pareça longe…
Taí os Titãs, que não me deixam mentir…
No comments Digg thisE lá se vai Bento…
E lá se vai Bento. Com certeza, não foi um papa que soube “medir as palavras”. Ratzinger ainda estava acostumado a ser professor, a ter a liberdade de se expressar… mas não era mais um professor universitário, era um papa. Um papa num mundo politicamente correto. E com o agravante de, ao contrário do seu antecessor, não ser lá muito bem “o carisma em pessoa”. Era tímido, nem um pouco fotogênico, e não tinha condições de beijar o chão com a desenvoltura do moleque de 10 anos que o outro lá parecia ser, debaixo daquela máscara de velhinho.
Mas acho que ele ao menos conseguiu nos lembrar que papas são seres humanos.
Errava e pedia desculpas. Aliás, no ato de sua renúncia voltou a se desculpar pelos seus erros, contrariando tanto os críticos chatos quanto os pucha-sacos mais chatos ainda, que insistem nessa história de que papa é infalível. Não é, nem a Igreja diz isso. Vê lá no catecismo.
Deslizou com os muçulmanos, tentou investir no diálogo inter-religioso. Enfrentou escândalo de pedofilia, chamou as vítimas para ouvi-las e chorou com elas. Pode, talvez, ter deixado a desejar… Mas surpreendeu quem achou que iria ser bem mais conservador do que realmente foi. Pode não ter feito grandes mudanças. Mas talvez tenha dado um recado importante: “não sou só eu quem devo fazê-las. Não sou o rei da Igreja.”
Rei que é rei não perde a majestade; ele optou por perder. Bastava olhar pro seu rosto pra perceber que não dava mais. Não dá pra exigir que todos sejam sobre-humanos como o João Paulo, que tinha mais vigor aos 70, com Parkinson e depois de um tiro, do que eu tenho com 30. Precisamos, também, de papas humanos.
Pra nos lembrar que as mudanças dependem também de todos nós, humanos. E não só dos papas.
No comments Digg thisSobre o post anterior
Há algumas semanas, recebemos por e-mail uma proposta intrigante e, curiosos, resolvemos ver no que ia dar. Para nossa total surpresa, deu certo. E o resultado é o texto abaixo, “Preço do mar”.
A proposta, feita a nós por uma agência de marketing virtual, era simplesmente botar um link pro cliente deles no meio de um texto nosso. O assunto do texto pouco importava; a única exigência é que o texto não poderia ser marcado como “publieditorial” – ou seja, não podia deixar claro que era patrocinado. Provavelmente, para o cliente, o que importa é como fazer as buscas do Google direcionarem para o seu site – independente de como seja.
Mas, como achamos estranho tentar “esconder” uma propaganda no meio de nossos textos, visto que eles falam exatamente de questionamentos e busca de valores diferenciados desse tal “sistema” dominante, fazemos questão de esclarecer, agora, como tudo ocorreu. Nada impede que façamos isso aqui, num post separado.
Deve ficar claro que não temos nada contra propagandas, patrocínio, etc – muito pelo contrário, é bom que os blogs se profissionalizem! Só achamos justo deixar claro pros nosso leitores a diferença entre o “cliquem aqui, pois sabemos do que se trata e tem a ver com nosso conteúdo, portanto recomendamos!” e “cliquem aqui porque alguém está pagando por isso”. E o que ocorreu desta vez, friamente falando, foi o segundo caso.
Ora bolas, então por que topamos isso? Acreditem, foi pela curiosidade. A proposta parecia tão surreal (inclusive com pagamento adiantado, sem contrato nem nada!), que era difícil acreditar que daria certo – mesmo com um texto, digamos, tão irônico. “O preço do mar” foi uma tentativa de dizer um pouco sobre o que achamos das relações comerciais de hoje em dia. Mas acreditem, eles acharam “criativo”, e quando nos demos conta tinham pagado por isso! Pois é…
Mas e agora, o que iremos fazer? Simples: doar tudo. Podíamos até mesmo usar o que recebemos para, com justiça, ressarcir as despesas pessoais que temos com o site (sim, registro de domínio, servidor, divulgação, etc, nos custam dimdim…), mas pensamos que, se não consideramos ter sido um “meio” lá muito exemplar de ganhar dinheiro (apesar de ser totalmente legal, que fique claro!!), seria interessante usar esse dinheiro para “fins” bem exemplares!
E vamos começar doando pro projeto “Escolhe a Vida”, uma iniciativa recém-lançada que destina-se a produzir material de Defesa da Vida para ser distribuído a todos os milhões de participantes da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em julho no Rio de Janeiro. Uma proposta interessantíssima e confiável que merecerá um post só pra isso… Mas, por enquanto, já vai o link:
No site explica tudo, como funciona e como fazer para contribuir – pode-se doar a partir de 1 real! Sim, se você gosta da proposta e quer ajudar, há sempre uma forma de fazê-lo – inclusive divulgando!!
Esta, aliás, é uma propaganda que fazemos por pura vontade, sem ganhar nada. Aliás, esta teríamos gosto em pagar pra fazer. Pois trata-se de algo que não tem preço…
No comments Digg thisPreço do mar (publi)
Como bom mineiro que vai à praia uma vez por ano e olhe lá, sempre vi o mar como um “trem” meio sagrado. Uma vez, anos atrás, meio metido a poeta, escrevi um negocim mais ou menos assim:
“Quando se é mineiro
(de corpo e de alma)
A imensidão de águas é o mais sagrado dos templos
E a retidão do horizonte, simplesmente um milagre
O pôr do sol inunda os olhos mais que a água salgada
A areia branca é um mistério, simplesmente por ser.
Mas quando, pois, retirado o sal do corpo
Volta-se à casa, às montanhas
Louva-se a Deus por se sentir tão acolhido
Aconchegado entre os montes e rios
No silêncio da prece de relevo…”
O mar merece respeito. Uma imensidão misteriosa, calma e romântica aqui, mas furiosa e mortal ali. Basta vê-lo para lavar um pouco a alma, sentir um pouco de paz. Basta mergulhar pra sentir-se consubstanciado ao infinito da natureza, lembrar o quanto somos minúsculos diante daquela quantidade inimaginável de líquido e vida – “tu és água e à água voltarás”… Mas basta um descuido para a paz e a vida virarem desespero e morte, numa fração de segundo.
Mas, pra quem sempre viveu num aquário, o mar tanto faz. Lá fora seres estranhos fazem caretas em frente ao vidro, mas aqui dentro o mundo é sempre o mesmo, previsível. As mesmas algas, a mesma paisagem, os mesmos companheiros a nadar sempre em círculos… Nunca vão correr de um tubarão, nunca vão ser fisgados por uma rede de pesca, nunca vão sentir os efeitos das correntes e marés. Uma vida, provavelmente, mais segura…
Tudo tem seu preço.
E o mar é caro. Tem peixe que consegue desconto no aquário, arruma um cupom no Groupon. Mas no fundo continua urbano, longe do mar… O mar é mais caro, não vale dinheiro.
Vale o preço da liberdade…
PS: clique aqui para entender este post.
No comments Digg thisTragédias evitáveis
Tenho curso superior e duas pós-graduações (sendo uma delas um Mestrado muito bem conceituado pelo MEC), tudo feito em universidade federal. Alcancei, no fim da graduação, a nota máxima do ENADE para o meu curso. E, mesmo assim, já corri o risco de incendiar uma capela em plena hora da missa, por não ter identificado um fogo proveniente de líquido inflamável (parafina), e sobretudo por não saber os procedimentos para apagá-lo. Ao tentar apagar o fogo com água (que, ironicamente, era água benta), as chamas instantaneamente foram até o teto, gerando estalos e fagulhas assustadores. Um espetáculo fabuloso. E perigoso.
Felizmente, conseguimos contornar a situação (utilizando serenidade e uma tampa de panela), e tudo não passou de um susto, que muitos que estavam no local até hoje devem achar que foi só um “efeito especial”. Mas essa minha conduta podia ter gerado algo bem mais grave, se tivesse sido em outra ocasião. Por que eu sou um idiota, irresponsável, inconseqüente? Não, simplesmente porque, mesmo tendo muito mais anos de estudo que a grande maioria da população, nunca me ensinaram sobre fogo na escola. Tudo o que me veio à mente, na hora, é que fogo se apaga com água. E cá pra nós: se fosse você nessa situação, qual a primeira coisa que passaria na sua cabeça? Seja sincero, responda rápido… E se abriu um sorrisinho e respondeu simplesmente “pegaria um extintor”, saiba que sua resposta também está errada, porque boa parte dos extintores simplesmente contém água pressurizada. Você deveria ter a sagacidade e a rapidez de raciocínio de procurar um extintor especial, de PQS. Extintores normais, de água, nunca devem ser usados onde há líquidos inflamáveis ou eletricidade. Sabia??…
E por que estou dizendo isso tudo, enquanto ainda estamos vivendo o luto do incêndio da boate Kiss de Santa Maria (RS), uma das maiores tragédias do país, um dos maiores incêndios em boates do mundo? Não, não é porque estou insinuando a inocência dos envolvidos, muito pelo contrário – até porque eles, como profissionais responsáveis pelo local e pelo evento, tinham a obrigação de saber os requisitos básicos de segurança – ao contrário de mim, que no evento citado no primeiro parágrafo era só um “leigo” tentando ajudar. O que quero dizer é que, exatamente por termos uma cultura que não valoriza o salvamento de vidas (a ponto de ensinarmos às crianças o que é o cosseno do cateto adjacente à hipotenusa, mas nunca uma simples respiração boca-a-boca), essas questões são tão negligenciadas.
Quem nunca esteve numa casa noturna superlotada? Quem nunca viu um show com foguetes ou artefatos de faíscas em locais fechados, ou sem que se tomassem as devidas precauções? Quem sabe as rotas de fuga dos locais em que trabalha ou freqüenta? Quem já reparou nas instruções e na validade dos extintores e equipamentos de incêndio com os quais cruzamos diariamente por aí? (aliás, quem sabe usar um extintor)? Ou mesmo quem nunca dirigiu, ou permitiu que um amigo dirigisse, depois de uma dose considerável de álcool?…
São situações com as quais convivemos diariamente, mas nem reparamos. Ao contrário de outros países, achamos “frescura” e “burocracia” boa parte das exigências de segurança. Até que algo acontece, e aí somos ávidos em linchar os responsáveis.
Esperamos a tragédia acontecer para nos incomodar (e pra botar logo a culpa em alguém). Fora isso, no dia-a-dia, ninguém quer pensar em situações de urgência. Outro dia mesmo tocou o alarme de incêndio na empresa onde trabalho, e todos, inclusive eu, tiveram a paciência de terminar o que estavam fazendo antes de sair do prédio.
Era alarme falso, mas poderia não ser. E evitar pensar nisso não evita que aconteça…
1 comment Digg thisPrimeiro livro de Gabriel Resgala!
É com prazer que apresentamos o primeiro livro publicado de nosso autor Gabriel Resgala! “Comprei Jujuba!”, uma coletânea de crônicas, contos e reflexões (muitas deles já publicados aqui), está disponível para venda no Clube de Autores, um projeto interessante para publicações independentes que já lançou mais de 10 mil livros. Em breve a versão em e-book estará à venda também no Google Play.
As primeiras páginas estão disponíveis para leitura ao clicar na imagem da capa, no site. Abaixo, a descrição do livro!
O que mais importa na vida: as grandes ou as pequenas coisas?
Talvez o desafio seja mesmo diferenciar uma das outras, neste mundo de tantas possibilidades. O que é grande? O que é pequeno? E sob que parâmetros?
“Comprei Jujuba!” não é uma tentativa de responder a estas filosóficas questões, mas tão somente apresentar uma miscelânea de observações do cotidiano feitas por um olhar sensível e aberto, ao longo da busca pela maturidade. Sob variadas formas literárias, Gabriel Resgala lembra-nos como uma simples bala de goma, uma conversa de ônibus ou mesmo um crime cruel podem revelar facetas novas, por vezes inesperadas, que muitas vezes passam despercebidas a um olhar apressado.
Gabriel tem uma formação acadêmica que lhe obriga a debruçar-se sobre as questões humanas; não espere, no entanto, análises rebuscadas aqui. Seu propósito na literatura é justamente apresentar um lado mais leve, irrequieto e tantas vezes cômico do ser-humano: “quero soar despretensioso como a criança que um dia fui”, ele diz. Difícil mesmo é saber se realmente, um dia, deixou de sê-la.
No comments Digg thisPensamento do Dia
“Quem conhece a sua ignorância revela a mais profunda sapiência. Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão.”
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